

Origem
Tudo começou no final dos anos 1800, com a união de Ovídio Guimarães e Livina Marcondes, na cidade de Ponta Grossa, Paraná.

Em 1921, foi adquirida a propriedade Fazendinha, em Tibagi (PR), marcando o início de uma relação profunda da família com a terra.

Na metade da década de 1920, a filha do casal, Bemvinda Guimarães, carinhosamente chamada Doly, casou-se com o comerciante gaúcho Nilo Gasparetto, natural de Caxias do Sul (RS). Nilo percorria o país, de Caxias do Sul ao Rio de Janeiro, vendendo artigos metalúrgicos da tradicional empresa Eberle.


Após algum tempo morando no Rio de Janeiro, Nilo e Doly decidiram retornar ao Paraná para se aproximar dos negócios familiares criados por Ovídio Guimarães. Assim, em 1937, adquiriram a primeira fazenda própria, a Fazenda Ponte Alta.

Com o tempo, Nilo Gasparetto expandiu as atividades familiares, investindo nos setores madeireiro e pecuário, sempre com o cuidado de preservar a mata nativa, um valor que se perpetuaria nas gerações seguintes.
A família Gasparetto se consolidou e expandiu seus empreendimentos para Guarapuava, Teixeira Soares e Curitiba, com foco em boas práticas ambientais e na sustentabilidade dos negócios.
Entre os filhos do casal, destacou-se Regina Gasparetto, nascida em 1940, uma mulher visionária que, inspirada pelo exemplo do pai, rompeu padrões de sua época. Formou-se técnica contábil, assumindo a gestão financeira das propriedades e se tornando uma referência feminina em um tempo em que poucas mulheres tinham espaço no mundo dos negócios.

Durante uma viagem ao Rio Grande do Sul, na tradicional Festa da Uva, Regina conheceu o estudante de medicina Ivo Carlos Arnt. O encontro transformou-se em uma história de amor à primeira vista. Casaram-se em 1961, e Regina mudou-se para Porto Alegre, onde aguardava o término do curso de Medicina de Ivo na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Pouco tempo depois, nasceu o primogênito do casal, Ivo Carlos Arnt Filho.
Com o término da faculdade, Ivo iniciou a carreira docente na Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba. Nesse período, nasceu a filha do casal, Lúcia Regina Arnt, em 1964.
Poucos anos depois, Ivo foi convidado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para especializar-se em Reprodução Humana no centro de referência de Montevidéu (Uruguai). Tornou-se uma autoridade no tema, contribuindo com pesquisas e avanços importantes, entre eles o desenvolvimento das pílulas anticoncepcionais e os exames intrauterinos em fetos.
Com o envelhecimento de Nilo Gasparetto, Ivo reduziu sua atuação médica, mantendo-se como professor de ginecologia e obstetrícia na UFPR, e passou a dedicar-se mais intensamente às atividades rurais da família, especialmente na criação de bovinos de corte.

O filho mais velho, Ivo Arnt Filho, formou-se médico veterinário e herdou a paixão pelo campo. Desde jovem acompanhava o avô Nilo em viagens, na compra de insumos e na seleção de animais para as fazendas.
Visionário como os antepassados, Ivo Filho foi o idealizador da agricultura nas propriedades familiares, iniciando em 1983 o plantio de arroz em Tibagi, período em que a técnica do Plantio Direto na Palha começava a ser difundida por pioneiros dos Campos Gerais, como Nonô Pereira e Franke Dijkstra.

As terras de Tibagi, inicialmente pobres em nutrientes, foram transformadas com muito calcário, técnica e persistência, construindo a fertilidade que hoje sustenta a produção. O arroz foi o primeiro passo dessa evolução, abrindo espaço para culturas como soja, milho e trigo.
O sucesso do manejo e a adoção de práticas sustentáveis renderam resultados surpreendentes, e a área agrícola, antes inferior a 10% da fazenda, cresceu continuamente, consolidando Ivo Filho como referência em agricultura regional.
No início dos anos 2000, começaram os programas de uso de insumos biológicos, como o Trichoderma, mantendo o compromisso com o Plantio Direto e a harmonia entre homem e natureza.

Em 2009, iniciou o projeto de ovinocultura de corte, onde buscava cruzamentos industriais focados na raça Texel e Ile de France, atendendo mercados paulistas, e posteriormente, se tornando cooperado no projeto de ovinos da Cooperativa Castrolanda, onde até hoje tem destaque na produção de ovinos estadual.
Em 2011, teve início a sucessão familiar, envolvendo Ivo, Regina, Lúcia e Ivo Filho, garantindo a continuidade do legado com modernização e propósito.
Nos anos seguintes, Ivo Filho intensificou o foco na diferenciação de mercado, produzindo grãos para alimentação humana. Em 2012, iniciou a exportação direta de soja Non-GMO para o Japão, e, com o aumento das exigências internacionais, vieram as primeiras certificações socioambientais, confirmando a direção correta de seu trabalho.

A propriedade consolidou-se como fornecedora de produtos sustentáveis, símbolo de inovação e responsabilidade.
Em 2012, buscando diversificar os negócios, criou a Angus RaNa, em busca de um trabalho de âmbito nacional, com melhoramento genético da raça black angus, para que consiga se adaptar à climas tropicais, expandindo a raça para o centro-norte brasileiro.

Em 2018, teve início uma nova fase de pesquisas e integração produtiva, com os campos de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) em parceria com a Embrapa e a Klabin.
Em 2022, a fazenda acumulava diversas certificações internacionais e mantinha negociações de exportação com tradings globais, atendendo aos mercados mais exigentes do mundo.

No mesmo ano, teve início a nova sucessão familiar, marcando a quinta geração à frente dos negócios, com os filhos de Ivo Filho e Joelma Henneberg — o engenheiro de materiais e pós-graduado em agronegócio, Nilo Ricardo Arnt (à esquerda) e o administrador e mestre em agronegócio, Rodrigo Ernesto Arnt (à direita).


Em 2024, a fazenda atingiu os mais altos padrões internacionais de sustentabilidade, conquistando a certificação RTRS, ingressando em programas de agricultura regenerativa e tornando-se a primeira fazenda modelo de agricultura regenerativa da Nestlé na América Latina, fornecendo grãos para a linha baby food da maior empresa de alimentos do mundo.
Finalmente, em 2025, nasce a nova marca Origem dos Campos, uma homenagem às gerações que construíram essa história, desde Ovídio e Livina, no final dos anos 1800 e os mais de 100 anos de trabalho na terra até os dias de hoje — uma história de trabalho, inovação e respeito à natureza.
O futuro?
Seguir produzindo ao lado do meio ambiente, fazendo o certo, com excelência, para que o legado continue e a Origem dos Campos siga entre as fazendas-modelo de agricultura sustentável do Brasil.



